Dragon Quest VII Reimagined – Review Completa da Nova Versão do Clássico da Square Enix
Recentemente tive a oportunidade de jogar Dragon Quest VII Reimagined, a nova versão desse clássico da Square Enix, e depois de terminar a campanha, explorar o pós-game, testar diferentes builds e até aumentar a dificuldade do jogo, finalmente me sinto pronto para compartilhar minhas impressões sobre essa jornada.
Antes de começar, vale deixar claro: recebi uma chave de análise de Dragon Quest VII Reimagined da Square Enix para a produção deste conteúdo. Meu agradecimento à empresa pelo apoio ao canal e ao projeto.
Agora sim, vamos falar sobre o jogo.
O que é Dragon Quest VII Reimagined?
Dragon Quest VII Reimagined não é exatamente um remake fiel, nem apenas um remaster. Como o próprio nome sugere, trata-se de uma reimaginação do clássico.
A base da história continua a mesma e a estrutura geral também permanece reconhecível, mas a forma como tudo é apresentado mudou bastante. Além disso, o jogo recebeu diversas melhorias de qualidade de vida pensadas para adaptar a experiência aos padrões modernos.
A mudança mais visível está na identidade visual e no ritmo da aventura.
Os sprites 2D do original deram lugar a uma estética de “diorama 3D”, onde os personagens parecem pequenos bonecos artesanais dentro de cenários que lembram uma maquete viva. É um estilo extremamente charmoso que combina muito bem com o tom leve e clássico da série Dragon Quest.
Mas talvez a mudança mais importante esteja no ritmo da campanha.
No jogo original, o prólogo podia levar várias horas até o primeiro combate. Aqui, esse início foi reduzido para menos de uma hora. Além disso, a campanha que antes facilmente ultrapassava as 100 horas agora gira em torno de 50 a 60 horas, graças a cortes em algumas subtramas e ajustes na estrutura da jornada.
O resultado é uma experiência muito mais ágil.
Melhorias de Gameplay e Qualidade de Vida
Entre as novidades mais importantes está o sistema de Moonlighting, que permite equipar duas vocações simultaneamente.
Essa mecânica adiciona uma camada estratégica muito interessante ao combate, permitindo combinações de habilidades que simplesmente não existiam na versão original de PlayStation.
A exploração também recebeu melhorias importantes.
Agora não existem mais batalhas aleatórias, o que torna o ritmo da exploração muito mais agradável. Além disso, o jogo introduz um radar de fragmentos no mini-mapa, que ajuda a localizar os itens necessários para progredir na história — eliminando uma das frustrações mais comuns da versão antiga.
No geral, Dragon Quest VII Reimagined mostra um cuidado claro em modernizar o jogo sem perder sua essência.
A História: Pequenas Aventuras Dentro de uma Jornada Maior
A história começa de forma simples, mas extremamente charmosa.
Logo nos primeiros momentos já é possível sentir aquela atmosfera clássica de Dragon Quest: aventura leve, personagens carismáticos e um mundo acolhedor, que faz qualquer fã de JRPG se sentir em casa.
A trama acompanha um jovem herói e seus amigos que vivem em uma ilha isolada, acreditando serem os únicos habitantes daquele vasto oceano. Até que, em determinado momento, eles descobrem uma forma de visitar outras ilhas — e é aí que a verdadeira aventura começa.
A estrutura narrativa do jogo funciona quase como uma coleção de pequenas histórias.
Cada nova ilha visitada apresenta um mini-arco narrativo: salvar um reino em perigo, enfrentar um tirano, lidar com algum desastre sobrenatural e assim por diante.
Essa estrutura funciona bem em vários momentos. Algumas dessas histórias são genuinamente interessantes, e o formato mais curto evita enrolações desnecessárias.
No entanto, existe um problema.
O jogo demora bastante para conectar essas histórias em um arco narrativo maior. Durante muitas horas, a sensação é de que estamos apenas resolvendo conflitos isolados, sem um fio condutor forte o suficiente para manter uma tensão narrativa constante.
Além disso, muitos personagens dessas histórias aparecem e desaparecem rapidamente, o que dificulta criar conexões emocionais mais profundas.
Isso pode gerar uma sensação de estagnação em alguns momentos da jornada.
Quando a História Funciona, Funciona Muito Bem
Apesar desses problemas de ritmo, Dragon Quest VII ainda possui qualidades narrativas marcantes.
A inocência característica da série continua sendo um dos maiores charmes do jogo. Mesmo quando aborda temas mais sérios, a história mantém um tom leve e sensível que transmite uma constante sensação de conforto.
O grupo principal de personagens é carismático e funcional, mas não recebe tanto foco quanto alguns fãs poderiam esperar. Em muitos momentos, o jogo prioriza contar as histórias das ilhas e dos reinos visitados, deixando o desenvolvimento pessoal do grupo em segundo plano.
Mas quando a narrativa finalmente engrena, o resultado é excelente.
Sem entrar em spoilers, o ato final é extremamente forte. Quando todas as peças começam a se encaixar, o jogo entrega revelações interessantes e um desfecho emocionante que recompensa o tempo investido na jornada.
Viagem no Tempo: Um dos Pontos Altos da Narrativa
Um dos elementos que mais me surpreendeu positivamente foi o uso da viagem no tempo.
Quando percebi que essa mecânica faria parte da história, confesso que fiquei um pouco receoso. Narrativas que mexem com tempo costumam ser difíceis de executar bem.
Felizmente, Dragon Quest VII utiliza essa ideia de maneira muito inteligente.
Existem momentos incríveis em que você conversa com personagens no presente que falam sobre lendas do passado… e você sabe que esteve lá quando aquilo aconteceu.
Esse tipo de conexão entre passado e presente cria alguns dos momentos mais interessantes da narrativa.
Combate Clássico, Mas Muito Bem Executado
O combate segue o tradicional sistema de turnos da série Dragon Quest.
Na base, ele é simples — mas extremamente bem executado.
As batalhas são rápidas, responsivas e oferecem espaço suficiente para planejamento estratégico. Existe uma satisfação enorme em preparar um turno inteiro de buffs e posicionamento para causar um dano massivo no turno seguinte.
A variedade de inimigos também merece destaque.
Mesmo nas últimas dungeons, o jogo ainda apresenta novos monstros com comportamentos diferentes, resistências variadas e padrões de ataque distintos. Isso incentiva o jogador a montar um grupo equilibrado e adaptar suas estratégias constantemente.
O Sistema de Vocações
O sistema de vocações continua sendo o coração da gameplay.
Quando finalmente desbloqueamos a possibilidade de usar duas classes simultaneamente, o combate ganha uma nova camada de profundidade. Experimentar combinações, evoluir vocações e criar builds específicas se torna extremamente viciante.
O único ponto negativo aqui é o tempo que leva para essa mecânica ser liberada.
O sistema de duas vocações só aparece cerca de 20 horas após o início do jogo, o que parece uma decisão um pouco estranha considerando o quanto essa funcionalidade melhora o combate.
Ainda assim, quando ela finalmente entra em cena, a experiência ganha um novo fôlego.
Ajuste de Dificuldade
Outro ponto interessante é a possibilidade de personalizar a dificuldade.
Dragon Quest VII Reimagined permite alterar vários parâmetros, como:
- dano causado pelos inimigos
- dano que o jogador causa
- ganho de experiência
- ganho de pontos de vocação
Isso permite adaptar a experiência tanto para quem quer uma jornada mais tranquila quanto para quem busca um desafio maior.
Inclusive, eu recomendo aumentar a dificuldade depois que o sistema de duas vocações é desbloqueado, pois em alguns momentos o jogo tende a ficar fácil demais.
Conteúdo e Pós-Game
A campanha principal dura aproximadamente 50 a 60 horas, dependendo do ritmo de exploração.
Apesar da progressão ser relativamente linear, existem ilhas opcionais que funcionam como conteúdo extra, oferecendo desafios adicionais e recompensas interessantes.
Depois de terminar a campanha, o jogo ainda apresenta conteúdo de pós-game, incluindo:
- novas batalhas na arena
- duas dungeons adicionais
- desafios significativamente mais difíceis
Aqui, finalmente, o jogo apresenta o nível de dificuldade que alguns jogadores mais experientes podem estar procurando.
Vale a Pena Jogar Dragon Quest VII Reimagined?
No geral, Dragon Quest VII Reimagined é uma excelente nova versão desse clássico.
Alguns sacrifícios foram feitos no ritmo e na estrutura da narrativa, mas a proposta de tornar o jogo mais acessível e moderno foi bem executada.
Mesmo com alguns tropeços na forma como a história se desenvolve ao longo da jornada, a experiência final é extremamente positiva.
O combate é viciante, o sistema de vocações é profundo e o mundo do jogo continua carregando aquele charme acolhedor característico da série.
Se você nunca jogou Dragon Quest VII — ou até mesmo nunca teve contato com a série — essa é uma ótima porta de entrada.
Já os fãs mais puristas talvez sintam falta do ritmo mais contemplativo e prolongado do jogo original.
Mas uma coisa é certa: Dragon Quest VII Reimagined continua sendo um RPG extremamente competente, e com certeza merece atenção de qualquer fã do gênero.
Se você já jogou o game, me conta nos comentários o que achou da experiência.
E se ficou com vontade de experimentar depois dessa análise, também quero saber.
Até o próximo artigo!









