A série Ys é famosa por seguir uma fórmula bem definida ao longo de seus muitos jogos já lançados. Em muitos aspectos, ela se parece com franquias como Dragon Quest, Pokémon ou até Persona. São jogos que, mesmo trazendo pequenas inovações a cada novo título, mantêm uma base sólida na gameplay — e isso faz com que você sempre saiba mais ou menos o que esperar.
E isso não necessariamente é um problema, muito pelo contrário.
Esse tipo de consistência é justamente o que faz com que fãs dessas franquias sempre encontrem diversão em cada novo lançamento. Existe um conforto em revisitar algo que funciona bem. Mas, de vez em quando, acontece uma coisa rara e muito especial.
Algumas dessas franquias conseguem evoluir. E não só evoluir, mas fazer isso aprimorando tudo aquilo que já era bom.
E é exatamente esse o caso de Ys X: Proud Nordics.
Versão em vídeo da análise:
Uma história envolvente e acessível
Pra quem não conhece, a série Ys não tem uma dependência direta de história entre os jogos. Existe, sim, uma linha cronológica — onde acompanhamos as aventuras do nosso protagonista, Adol Christin, viajando pelo mundo — mas, na prática, cada jogo funciona de forma independente.
Ou seja: se você nunca jogou nada da série, você pode começar por aqui sem problema nenhum.
Ys X se passa cronologicamente entre Ys II e Ys: Memories of Celceta, e começa justamente com o Adol e o Dogi em um navio a caminho de Celceta. Mas, como sempre, é só o Adol entrar em um navio que algo dá errado — e aqui não poderia ser diferente.
O navio é interceptado por um grupo de piratas chamado Balta Seaforce, que domina aquelas águas. Esse encontro acaba forçando a dupla a desembarcar em uma ilha nórdica após um conflito com o capitão, e é a partir daí que a história realmente começa.

Adol acaba se envolvendo com Karja, uma das líderes desse grupo de piratas — e, de uma forma bem inesperada, os dois acabam presos por algemas mágicas que impedem que se afastem um do outro.
Esse é, inclusive, um dos grandes mistérios do jogo. Eles não se conheciam, não tinham nenhuma ligação… então por que isso aconteceu?
A partir daí, o jogo começa a construir uma relação entre os dois que é tão importante quanto a própria história. E o mais interessante é que isso funciona muito bem. A química entre Adol e Karja é natural, bem desenvolvida e sustenta grande parte da narrativa.

O resultado final é uma história muito bem construída, com ritmo constante e quase tão frenético quanto o próprio combate do jogo. Desde os primeiros minutos, os acontecimentos que constroem a trama principal acontecem com frequência, sem longas pausas ou momentos de tédio.
É uma narrativa sobre pirataria, irmandade, família e, claro, aventura — elementos que sempre estiveram no coração da série Ys.
Personagens que fortalecem a jornada
E essa força narrativa não se limita apenas à história principal.
O jogo também conta com várias side quests e eventos opcionais que têm como foco enriquecer a lore do mundo. Isso ajuda a dar mais profundidade ao universo e aos personagens.
Aqui vale destacar uma coisa importante: Ys X abraça completamente a temática de piratas.

Você vai encontrar mapas do tesouro em garrafas, investigar criaturas misteriosas no oceano, ouvir histórias sobre navios fantasmas… e tudo isso reforça muito o senso de exploração, criando uma aventura extremamente bem ambientada.
Uma das coisas que mais me impressionou foi como o jogo consegue despertar a curiosidade do jogador o tempo todo. Não é só o Adol que quer explorar — você também quer. E isso é um baita elogio para um jogo de aventura.
O desenvolvimento dos personagens também merece destaque, principalmente a Karja. Ela começa com uma postura mais agressiva, quase como aquele estereótipo de personagem mais “fechada”, mas ao longo da história se mostra muito mais interessante e carismática.
E isso se estende ao elenco secundário.
Os personagens ao redor — desde os companheiros nórdicos até os habitantes da ilha que você vai resgatando — se integram de forma natural à história. E, mais importante, você acaba se envolvendo com eles.

Cada um possui sua própria história, desenvolvida através de side quests e de um sistema simples de relacionamento. Não é algo tão profundo quanto um Persona, mas funciona muito bem dentro da proposta do jogo.
No final, você sente que realmente criou um vínculo com esse grupo — e isso faz toda a diferença.
Combate: onde Ys X realmente brilha
Falando agora de jogabilidade, aqui talvez esteja a maior evolução do jogo.
A série Ys sempre foi conhecida pelo seu combate rápido, direto e extremamente divertido — e isso continua presente aqui. Mas Ys X dá um passo além.
Diferente dos jogos anteriores, que costumavam ter grupos maiores de personagens jogáveis, aqui você controla apenas dois: Adol e Karja.
O Adol continua sendo ágil, focado em causar dano rápido. Já a Karja é mais lenta, mas extremamente eficiente em quebrar as defesas de inimigos com armadura.

Você pode alternar entre os dois livremente durante o combate, o que já lembra os sistemas anteriores da série. Mas aqui isso é só o começo.
A grande novidade está no sistema chamado Cross Action.
Ao segurar um botão, você passa a controlar os dois personagens ao mesmo tempo. Nesse modo, é possível se defender de ataques, executar combos sincronizados e utilizar habilidades em dupla que causam ainda mais dano.
E é nesse ponto que o combate começa a brilhar de verdade.

Defender ataques não serve apenas para evitar dano — também preenche um medidor que fortalece essas habilidades em dupla. Dominar esse sistema se torna essencial para causar grandes quantidades de dano.
Inclusive, se você vem dos Ys mais recentes, é importante saber que o foco na esquiva foi praticamente abandonado. Aqui, o jogo prioriza defesa e contra-ataques.
Mas não se preocupe: não estamos falando de algo punitivo como um soulslike. As janelas de tempo são bem generosas.
E quando você acerta o timing perfeito nas defesas, o jogo recompensa com contra-ataques extremamente fortes e cinematográficos.

No começo, pode parecer muita informação — e, sendo bem sincero, talvez seja mesmo. Eu levei um tempo para me adaptar ao ritmo e à quantidade de mecânicas.
Mas quando tudo se encaixa, o combate vira praticamente uma dança. Tudo flui de forma natural, e mesmo depois de muitas horas, continua sendo extremamente satisfatório.
Customização e evolução de builds
Outro ponto que me surpreendeu bastante foi a parte de customização.
O jogo traz o sistema de Release Lines, que funciona como uma espécie de árvore de habilidades.
Nele, você desbloqueia novas skills e pode encaixar pedras de mana que modificam atributos, adicionam efeitos e permitem personalizar a build dos personagens.

É um nível de customização que eu realmente não esperava ver em Ys — e que funciona muito bem.
Até mesmo o endgame, que normalmente seria mais focado em repetir padrões de evolução simples, aqui se torna mais interessante.
Exploração: evolução com alguns tropeços
A exploração sempre foi um dos pilares da série, e aqui ela continua forte.
Em terra, temos mapas semiabertos com inimigos, tesouros e segredos, seguindo o padrão da franquia.
As habilidades de mana ajudam a enriquecer essa exploração, permitindo interações variadas com o cenário — seja para se locomover mais rápido, alcançar áreas distantes ou descobrir caminhos ocultos.

Nada disso é exatamente inovador, mas é bem executado.
O principal problema aqui está em alguns pontos de falta de polimento. Em alguns momentos, tive problemas com detecção de interação e pequenos bugs que acabam atrapalhando a fluidez.
Não chega a quebrar a experiência, mas incomoda.
Exploração marítima e combate naval
A grande novidade está na exploração marítima.
Depois de adquirir seu navio, o jogo abre um oceano que funciona como um grande mapa do mundo. Conforme você avança, novas regiões são desbloqueadas, cada uma com suas próprias atividades.
E aqui existe uma boa variedade de conteúdo.

Você encontra ilhas com diferentes propósitos, eventos aleatórios, criaturas misteriosas e confrontos com outros piratas. Sempre há algo acontecendo, e isso mantém a exploração interessante.
Talvez a única ausência mais sentida seja a falta de variação climática, que poderia enriquecer ainda mais essa experiência.
Já o combate naval funciona bem no início, mas acaba se tornando repetitivo com o tempo.

A estrutura das batalhas muda pouco, e a dificuldade aumenta mais por números do que por mecânicas. Isso faz com que ele perca impacto ao longo da jornada.
Gráficos, desempenho e trilha sonora
Visualmente, o jogo apresenta melhorias, principalmente nos modelos de personagens e efeitos de combate.
A direção de arte também é muito competente, com cenários variados e bem construídos.
Por outro lado, as texturas ainda deixam a desejar em alguns momentos, mostrando que ainda há espaço para evolução nesse aspecto.

Já no desempenho, o jogo se destaca. A otimização é excelente, com carregamentos rápidos e alta taxa de quadros.
E, como não poderia faltar, a trilha sonora continua sendo um dos pontos altos da série.
As músicas mantêm a identidade de Ys, com guitarras marcantes e composições cheias de energia que acompanham perfeitamente o ritmo da aventura.
Sobre a versão Proud Nordics
Vale falar também sobre a versão Proud Nordics.
Ela funciona como uma edição expandida do jogo original, trazendo novos conteúdos como habilidades, áreas adicionais, chefes e desafios extras.
Se você ainda não jogou Ys X, essa é a melhor forma de começar.

Mas, se você já jogou o original, a situação muda.
Não existe upgrade, e todo o conteúdo novo está distribuído ao longo do jogo. Isso significa que você precisa jogar tudo novamente para acessar essas novidades.
Na minha opinião, esse tipo de conteúdo funcionaria muito melhor como uma expansão ou DLC. Do jeito que foi feito, acaba sendo uma decisão questionável.
Vale a pena jogar Ys X Proud Nordics?
Deixando essa questão de lado, Ys X: Proud Nordics é um pacote extremamente completo.
História, jogabilidade e trilha sonora funcionam em conjunto de forma muito eficiente.
O jogo mantém a essência da série, mas eleva o nível em praticamente todos os aspectos.
Com um combate mais técnico, uma dupla de protagonistas excelente e um mundo envolvente, Ys X se torna uma recomendação fácil para qualquer fã de RPG de ação.

Conclusão
Ys X não é apenas mais um título da franquia.
Ele representa uma evolução real.
História, jogabilidade, trilha sonora… tudo funciona em conjunto e muito bem.
O jogo mantém a essência da série, mas ao mesmo tempo eleva o nível em praticamente todos os aspectos.
Com um combate mais técnico, uma dupla de protagonistas excelente e um mundo extremamente envolvente, Ys X não só representa uma evolução da franquia — como também se torna uma recomendação fácil pra qualquer fã de RPG de ação.
É um trabalho incrível da Falcom, me deixou genuinamente animado pro futuro da série e eu recomendo de olhos fechados.
Aviso
Cópia do jogo fornecida pela NIS America.
