Final Fantasy VII Remake: Primeiras (e quase derradeiras) impressões

by A Itinerante
Desde que entrei nesse mundo de falar, postar e ler sobre Final Fantasy sempre houve rumores e sonhos depositados no lançamento de um Remake de Final Fantasy VII. É inegável que ele é um dos mais queridos entre os fãs, isso se não for o mais querido de todos e tirar esse projeto do campo das ideias ao mesmo tempo poderia ser uma mina de ouro para a Square ou um baita tiro no pé… Assim como havia entre os fãs, tenho certeza de que essa conversa já existia há muito tempo internamente na empresa e esperavam o momento propício e a ideia perfeita para jogar Cloud e seus companheiros nos holofotes do mundo gamer uma vez mais!
Em 2015 vimos um trailer na E3 que só nos serviu de hype, sem maiores informações e, como de costume da Square, as informações foram bem limitadas nesses últimos anos, até a conferência do ano passado na E3 2019 onde mostraram uma boa parte da gameplay do primeiro capítulo e a luta contra o primeiro boss. Ali reascendeu aquele sentimento de “pode dar certo” e o hype foi quase um vulcão em erupção. Outra agradável surpresa foi a disponibilização da demo, que cobre essa mesma parte mostrada na E3 em Março/2020, onde pudemos sentir o gostinho daquilo que nos aguardava!
Vocês estão preparados pra um post grande? Então puxa a cadeira, pega um café e vamos lá! Eu não recomendo que leia esse texto se estiver fugindo de spoilers, porque inevitavelmente eu vou querer destrinchar algumas partes do game ao longo dos tópicos, o que pode estragar a experiência de alguns, fica aqui o aviso!
Falar de Final Fantasy VII é falar de nostalgia, e pra mim foram 3 momentos marcantes com esse jogo. Foi o primeiro Final Fantasy que eu joguei, quando tinha uns 11 anos, naquela época o meu inglês era praticamente inexistente, então eu travei no final do primeiro CD e fiquei um bom tempo longe do game… Depois passei pelo XII, X, XIII, Crisis Core e só depois disso, no PSP é que eu fui jogar o VII, dessa vez até o fim da versão de PS1 e agora, com 50 horas de gameplay e no fim do penúltimo capítulo da primeira jogada, me sinto preparado pra trazer esse post aqui. /Confesso que foi bem difícil largar a jogatina para escrever esse post!
Eu vou tentar dividir essa análise em História, Gameplay (com alguns sub tópicos), gráficos e trilha sonora. Acho que com isso já consigo pelo menos te deixar familiarizado com essa experiência Final Fantasy VII Remake, que já posso adiantar, está INCRÍVEL! Então vamos lá…

HISTÓRIA

Cloud e Aerith nem imaginavam que a treta estava só começando nesse momento
A história do game é bem conhecida, e apesar de ter sido escrita em 1997, ainda é uma história extremamente atual. Existe uma empresa chamada Shinra, que construiu uma cidade extremamente tecnológica e futurista às custas de um recurso natural extremamente precioso: o Mako, também conhecido como Lifestream. A extração desenfreada desse recurso está levando o planeta à destruição, mas a ambiciosa corporação, visando apenas o enriquecimento vindo dessa exploração, não está muito preocupada com isso. É nesse cenário caótico e apocalíptico que a organização AVALANCHE tenta conscientizar as pessoas sobre o problema e acabar com as atividades criminosas da Shinra. Cloud, o nosso protagonista, é um antigo empregado da Shinra, um habilidoso guerreiro de uma das forças de combates mais brutais da Shinra: A SOLDIER. Após a saída da empresa, Cloud decide trabalhar como Mercenário e é contratado pela Avalanche, graças a sua amiga de infância Tifa, que faz parte desse grupo. Lá ele conhece Barret, Biggs, Wedge e Jessie e juntos colocam em curso uma série de ações que vai botar todas as forças da Shinra no encalço deles.
Bom, já faz um tempo que eu joguei o original, talvez não lembre mais de todos os acontecimentos dessa parte no original, mas posso dizer que a essência está presente no Remake, há algumas mudanças no roteiro até a parte que eu estou, alguns personagens aparecem antes do que acontecia no original, mas em sua maioria o que acontecem são adições! Adições que vão explorar melhor os personagens secundários que quase não tinham participação no game original e que também vão nos ajudar a entender a sociedade de Midgard, e o impacto que as ações do grupo vão ter nessa sociedade. A sensação de perigo, de urgência, de tensão estão mais presentes do que nunca, se prepare para gargalhar e também para sair com os olhos marejados em algumas partes mais dramáticas do roteiro. O meu sentimento enquanto revivencio essa história, repaginada dessa maneira, é de que os produtores queriam desde aquela primeira vez contar a história desse jeito, mas os recursos tecnológicos não permitiam, e também existem assuntos com mais abertura para serem discutidos atualmente do que havia na época de seu lançamento./Midgard transpira vitalidade, é quase possível acreditar que cada uma des pessoas ali estão vivas, perderam alguém, estão sofrendo com a vida miserável que levam nas favelas e etc…  Eu vejo essa história como uma grande crítica social ao nosso mundo moderno, mas não vou entrar muito nesse aspecto aqui, rs…

Gameplay

Barret é ótimo para eliminar inimigos alados e causa bastante dano com seus golpes especiais
Sem dúvidas o ponto alto desse jogo! Você vai achar aqui elementos de Final Fantasy XIII, de Final Fantasy XV, de Detroit, e de uma infinidade de outros jogos… Junta tudo que deu certo em todos esses jogos e vai ter uma das gameplays mais completas e complexas que eu já experimentei nessa geração. Eu quero falar um pouco de evolução, combate, Sidequests/mini-games e exploração nos parágrafos abaixo.
A evolução é baseada basicamente no nível dos personagens, nas matérias e nas armas. 
O nível dos personagens você adquire acumulando EXP que recebe no final de cada luta, o level máximo do jogo é 50 e você vai querer seus personagens nesse level para o New Game+ no hard, sem muitas novidades nesse especto, é a típica evolução de personagens que temos em qualquer JRPG.
O sistema de materias do clássico está presente também nesse remake sem nenhuma alteração significativa, as matérias recebem PA ao término de cada luta e quando atingem os patamares exigidos habilitam versões mais poderosas dos seus efeitos, existem 12 tipos de matérias de feitiços (elementais e de buffs/debuffs/cura) e você vai precisar masterizar esses 12 tipos para liberar um dos troféus do jogo. O grande problema aqui é que você vai querer ter mais de uma de algumas matérias que expandem os efeitos dessas matérias básicas e infelizmente algumas delas só aparecem UMA ÚNICA VEZ no jogo (essa indireta foi pra você mesma, matéria de extensão).
Além da evolução dos personagens e materias, um outro sistema muito interessante é o de evolução das armas. Os personagens recebem PH (pontos de habilidade) a cada nível atingido e esses pontos podem ser distribuídos entre os núcleos das armas para liberar novos atributos, desde habilidades passivas, como melhoria de status e novos espaços para matérias. O sistema lembra muito a crystarium do Final Fantasy XIII/XIII-2, veteranos desses jogos vão se sentir em casa aqui. Mesmo as armas mais antigas podem voltar a serem úteis após a liberação de mais habilidades e a gente fica aqui salivando com vontade de liberar tudo enquanto ainda não atinge max level. Você pode deixar essa distribuição de pontos no automático em 3 perfis pré-definidos (equilibrado, priorizar ataque e priorizar defesa) ou fazer tudo no manual, o que é massante já que são 6 armas para cada um dos personagens e cada uma dessas armas recebe ph a cada nível que você sobe! Minha dica é, deixe só a arma que está usando no manual e automatize as demais, para ganhar tempo. Tente também ter pelo menos uma arma em cada um dos perfis acima, pode fazer a diferença em alguma das lutas mais pesadas do jogo.
Analise os inimigos para obter informações de como
derrotá-los rapidamente!

O combate tem um elemento de ação que lembra bastante o que vimos em Final Fantasy XV, com a parte estratégica provida pelo ATB, que vem direto do Final Fantasy XIII, principalmente o Lightning Returns, até o atordoamento (Stagger) que tinha nesses jogos também está presente nesse jogo, ao apertar o X o jogo pausa e você entra no modo estratégico para inserir comandos específicos para todos os personagens da Party. Explorar todos esses recursos em combate vai ser crucial para vencer alguns dos desafios mais cascudos do game (alô casa infernal e Behemoths, eu estou falando com vocês dois principalmente, mesmo, kkkk). Você vai querer ter uma matéria de análise equipada constantemente para estudar a melhor estratégia para vencer os inimigos, a variedade deles é grande, e principalmente os bosses vão exigir que você domine as fraquezas e estratégias sugeridas para se dar bem. Como disse acima, estou no penúltimo capítulo no modo normal e ainda não estou nem perto de achar o combate monótono, qualquer deslize e você pode tomar um gameover para um mob dos mais simples! Final Fantasy VII definitivamente não é um smash button e você vai querer dominar o sistema de combate, porque a sensação de voltar marretando aquele boss que te deu um gameover e vencer é indescritível!

Como todo bom Final Fantasy, se prepare para as sidequests e mini games, mas não espere nada muito grandioso, como o André pontuou muito bem nas opiniões dele, as sides são bem genéricas e só aparecem em quatro capítulos do jogo, no 3, 8, 9 e 14, mas você vai querer finalizar as sides para obter gil e alguns bons itens que só vai ter acesso nelas e acho que elas estão ali mais pra você entender a necessidades das pessoas da comunidade, como a Shinra faz a vida deles miserável ali, não acrescenta muito na história, mas dá um bom pano de fundo. Os mini-games são bem divertidos e você precisa completar todos se tiver a intenção de platinar o jogo, vai na fé, respira fundo e se prepara pra repetir algumas vezes o dos dardos (se você for ruim de mira igual eu). Os outros não me deram muito trabalho, vi algumas pessoas reclamando sobre os de ginástica (agachamentos e de barra), mas não tive muito trabalho com esses, a jogatina de jogos de ritmo ajudou aqui, kkk… Pelo menos não teve nada insuportável aqui como o Blitzball, corrida de chocobos e desviar dos raio de Final Fantasy X (affff) e o momento da dança no Honeybee Inn já pode ser considerado um clássico da série daqui pra frente!
Eu simplesmente adorei essa cena do Honeybee Inn
Se você vai jogar Final Fantasy VII Remake buscando exploração, lamento, mas vai sair decepcionado. O game é bem linear, e tirando os capítulos onde destaquei que existem as sidequests, você vai ter pouco espaço para explorar, é mais um bauzinho aqui, um pequeno puzzle ali, um outro segredinho ali, mas nada demais, é praticamente andar em linha reta na maioria dos capítulos. Não é algo que me incomoda, porque não gosto de pegar aqueles jogos tipo Witcher, Zelda, que você tem um milhão de pontos no mapa com coisas pra resolver, a ansiedade ataca só de pensar, kkk… Mas entendo que para algumas pessoas que curtam mais essa parte de exploração, isso possa ser um ponto fraco do game. Vale lembrar entretanto, que a parte correspondente a essa primeira parte no original também não era lá muito aberta, vamos ver como a Squenix vai seguir nas próximas partes do Remake…

Gráficos

Até o design dos personagens secundários, como o Wedge, ficou muito bonito!

A Squenix já nos decepcionou muitas vezes em diversos aspectos, mas na questão gráfica ela sempre foi bem competente e aqui no Remake também não foi diferente, o termo CG jogável nunca foi tão adequado como para esse jogo, tanto que as passagens das cenas para gameplay são praticamente imperceptíveis e isso foi um dos grandes charmes do jogo pra mim. 

Nem tudo são flores, e em algumas partes as texturas demoram pra carregar, os cenários ficam um tanto borrado, mas o bom de ter problema de visão é que nessas horas eu sempre acho que o problema sou eu, e não o game, kkk…
Os cenários estão bem bonitos, os designs dos personagens, dos ambientes, se você já esteve em uma favela, vai ver que as retratadas no jogo não deixam nada a desejar para as do mundo real… As cidades são vivas, você vai passando e ouvindo as pessoas conversando, notícias e etc… Tudo isso aprofunda ainda mais a ambientação do game.

Trilha Sonora

Enquanto salva o mundo, não esqueça de colocar aquela sua
música preferida pra dar um gás!

Confesso pra vocês que, apesar de atacar de músico de vez em quando, eu não sou um dos maiores apreciadores de trilhas sonoras em jogos, tirando Nier que é uma obra prima nesse sentido, são poucos jogos que me chamam muita atenção nesse aspecto, mas posso dizer que o Remake é impecável nesse quesito, você pode esperar as músicas do clássico repaginadas, orquestradas, da maneira mais linda possível. O tema de combate ficou lindo e empolgante, achei incrível que em algumas músicas eles tem dois tipos de arranjos, como as batalhas são em tempo real no cenário e não aleatórias como no original, você vai notar um arranjo mais suave quando estiver fora das batalhas e um arranjo mais pesado e agitado quando entrar em combate, a base é a mesma música, mas em dois arranjos diferentes, ponto pra Squenix, porque ficou muito boa essa passagem!

Aqui na trilha sonora vale destacar também que ao longo do jogo você vai precisar recolher 31 discos com músicas da versão clássica e músicas repaginadas. Se estiver atrás da platina vai precisar de todos os discos, pois eles liberam dois troféus.

PRA TERMINAR

Como disse lá no começo, Final Fantasy VII Remake é uma experiência incrível e já pode entrar com toda pompa no hall dos melhores jogos da série. É moderno, mas respeita o clássico de uma forma impressionante, entrega bem aquilo que se propõe e, embora exista uma ressalva aqui e ali, dá pra perceber o cuidado da equipe e o carinho que eles também tem por esse projeto. A história ainda é muito atual e conversa muito bem com os dias de hoje. A opinião é quase unanime ao dizer que essa é a experiência Final Fantasy que os fãs queriam e mereciam há muito tempo! Agora o que nos resta é esperar, com altas expectativas, o que as próximas partes do Remake vão nos trazer e torcer para que o XVI venha assim nesses mesmos moldes, porque dessa vez, a Squenix acertou em cheio!

Posts relacionados

Deixe um comentário