Vale a Pena Jogar Trails in the Sky FC Remake? Review Completa

by A Itinerante

Análise: Trails in the Sky First Chapter Remake é um dos melhores RPGs de 2024

Trails in the Sky First Chapter acaba de ganhar um remake — e que remake. Em um mercado cheio de reimaginações decepcionantes, esse jogo se destaca como um dos grandes acertos de 2024. Ele consegue equilibrar perfeitamente o respeito à obra original com melhorias modernas que realmente agregam à experiência.

Mas afinal, o que faz um bom remake? Essa é uma pergunta difícil. A gente já viu tantas tentativas falhas que é normal ficar com um pé atrás. Ainda assim, vez ou outra, uma empresa acerta em cheio. E esse é um desses raros casos.

Se você está em dúvida se deve ou não jogar esse remake, ou sempre quis conhecer a franquia Trails mas nunca soube por onde começar, esse é o melhor momento. A seguir, explico por que Trails in the Sky First Chapter Remake é uma das melhores portas de entrada para uma das franquias de RPG mais ricas que existem.

Versão em vídeo:


A História

A franquia Trails se passa em um continente chamado Zemuria, dividido em diversas regiões. Cada arco da série acontece em uma dessas regiões. A trilogia Trails in the Sky é o primeiro arco, e se passa em Liberl, um pequeno reino no sudoeste do continente, vizinho de Erebonia — um dos países mais poderosos da região.

Nossa história acontece cerca de 10 anos após uma guerra em que Erebonia tentou invadir Liberl. As consequências desse conflito ainda são sentidas, e vários personagens viveram esse trauma de perto.

Os protagonistas são Estelle e Joshua Bright, dois jovens que estão em jornada para se tornarem Bracers — membros de uma guilda que ajuda a população com todo tipo de problema. No meio dessa jornada, um evento misterioso envolvendo o pai deles muda tudo. E aos poucos, percebemos que talvez os conflitos com Erebonia não estejam tão resolvidos quanto pareciam.

A narrativa mistura momentos de leveza, humor e emoção, mesmo com temas mais sombrios surgindo aos poucos. Esse equilíbrio é um dos charmes do jogo.


Personagens

O elenco é um dos pontos mais fortes. Os personagens entram na trama de forma natural e bem trabalhada. E olha que você vai conhecer muita gente pelo caminho. Mas a dinâmica entre eles funciona muito bem, com destaque para o casal protagonista, que tem uma relação incrível. E o humor também brilha: personagens como Olivier e a própria Estelle arrancam boas risadas ao longo da jornada.


Ritmo Narrativo

Agora, um aviso importante: a história é lenta. Muito lenta.

Diferente de muitos RPGs que começam com um evento bombástico, aqui você vai acompanhar os protagonistas em uma jornada pessoal por Liberl, resolvendo problemas locais em cada cidade. Durante boa parte do jogo, pode parecer que a trama está andando sem um rumo claro. Os eventos misteriosos existem, mas o “grande plot” demora bastante pra aparecer.

Isso pode incomodar quem gosta de narrativas mais diretas. Mas o jogo transforma esse ritmo mais contido em um ponto forte. Enquanto viaja por Liberl, você conhece regiões, culturas e personagens que vão ter papel importante nos jogos seguintes também. Tudo é construído com muito cuidado, e a recompensa vem com força.

Quando os grandes momentos chegam, tudo aquilo que parecia só um detalhe se encaixa perfeitamente e deixa a experiência muito mais impactante.


Detalhes e Imersão

Um dos aspectos mais impressionantes do remake é a atenção aos detalhes. Especialmente no comportamento dos NPCs.

Na maioria dos jogos, os NPCs servem apenas para preencher espaço. Mas aqui, eles têm histórias, mudam de local conforme a narrativa avança e têm falas que evoluem de acordo com os eventos. Isso cria uma sensação muito forte de mundo vivo.

Um exemplo: há uma side quest em que você ajuda uma lanchonete a criar um novo bolo. Depois de terminar a missão, se você visitar o lugar novamente, os clientes estão comendo esse novo produto. Pequenos detalhes como esse mostram o carinho dos desenvolvedores.


Combate

O sistema de combate foi modernizado e agora mistura elementos de ação com o tradicional combate em turno.

Funciona assim: o modo ação serve para derrotar inimigos fracos ou iniciar combates com vantagem. Já o modo tático, por turnos, é onde o jogo brilha de verdade, com lutas mais longas, intensas e cheias de possibilidades estratégicas.

Você pode, por exemplo, atordoar um inimigo com o modo ação e começar a batalha com vantagem. Essa sinergia torna o combate fluido e variado. No final do jogo, com todos os recursos liberados, o sistema se torna um verdadeiro show tático.


Customização

O sistema de Orbments continua sendo um dos melhores da franquia. Aqui ele está em sua forma mais simples, mas já oferece várias possibilidades de customização. Equipamentos, artes e habilidades se combinam de forma interessante, tornando o sistema de builds profundo e divertido.


Exploração

Esse é o ponto mais fraco do jogo. Apesar dos mapas bonitos e da melhoria visual em relação ao original, a exploração em si é simples e pouco recompensadora.

Você encontra baús, itens e alguns segredos, mas falta variedade. Como o jogo se passa inteiro em Liberl, há pouca diferença visual entre regiões. Em alguns momentos, parece que você está no mesmo lugar, mesmo indo para uma nova área. Não é um problema grave, mas é algo que pode cansar veteranos do gênero.


Composição de Grupo

Com exceção de Estelle e Joshua, você não tem controle sobre quem está no grupo. Os demais personagens entram e saem conforme a história exige.

Isso obriga o jogador a repensar estratégias constantemente, o que pode ser interessante. Mas para quem gosta de montar um time estável e desenvolver sinergias a longo prazo, pode ser um ponto incômodo. Nada que comprometa a experiência, mas vale o aviso.


Trilha Sonora

A trilha sonora segue excelente. As faixas ajudam a construir atmosfera e dão o tom perfeito aos momentos chave da narrativa. Fãs antigos vão reconhecer temas clássicos com novos arranjos, enquanto novos jogadores vão se impressionar com a qualidade da OST.


Volume de Conteúdo

A campanha principal leva de 40 a 50 horas. Com as side quests e conteúdo opcional, é possível ultrapassar 80 ou 90 horas de jogo.

As missões secundárias são bem escritas e trazem novos elementos de narrativa e desafios. Há também um sistema de conquistas internas que recompensam com itens útis, incentivando a completação.

O modo New Game+ permite levar seu progresso para uma nova jogada, aumentando a dificuldade geral e desbloqueando o modo Nightmare, ideal para quem busca um desafio tático mais profundo.


Veredito Final

Trails in the Sky First Chapter Remake é uma aula de como fazer um bom remake: respeita o original, moderniza o que precisa e entrega uma experiência completa para novatos e veteranos.

Apesar de alguns pequenos pontos fracos, como a exploração limitada e o ritmo lento, ele compensa com um mundo vivo, personagens carismáticos e um sistema de combate incrivelmente satisfatório.

Se você é fã de RPGs, esse remake não pode passar despercebido.

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